
Na quarta-feira (23/10), a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP) realizou a 30ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, evento sediado na capital paulista que reuniu diversos especialistas do setor para discutir o futuro da mobilidade no Brasil.
Um dos participantes foi Roberto Speicys Cardoso, sócio-diretor da Scipopulis, empresa especializada em cidades inteligentes, que comentou sobre a importância de priorizar o transporte público e o uso inteligente de dados para a gestão eficiente desses modais. “Para acessar as possibilidades de emprego, trocas e diversos benefícios da cidade, o deslocamento das pessoas deve ser eficiente”, afirmou.
Soluções para cidades sustentáveis e inteligentes
Segundo Cardoso, obter dados das cidades, como número de passageiros, áreas de alagamento, entre outros, pode ajudar nessa tarefa.
“Os dados são fundamentais para tomar decisões mais inteligentes. Então, se você sabe o número de bicicletas que passam por diferentes pontos da cidade, pode criar uma ciclovia que realmente será utilizada”, reflete Cardoso.
Fernando Tohme, conselheiro do Instituto Sociocultural Brasil China (Ibrachina), falou sobre o desafio de as cidades compreenderem a importância da aplicação de dados. Segundo ele, soluções que utilizam essas informações estruturadas já ajudaram de diversas formas em outros países, como na redução do número de suicídios no metrô de Sydney, na Austrália, entre outros exemplos. “No entanto, no Brasil, o avanço nesse sentido ainda é pequeno”, afirma.
De acordo com Cardoso, as cidades brasileiras enfrentam grandes problemas tanto para obter dados que ajudem a gerar políticas de mobilidade quanto para utilizá-los. “Não basta gerar dados se eles não forem usados nos processos de tomada de decisão e planejamento”, acrescenta.
“Desde 2007, os ônibus de São Paulo são equipados com GPS e poderiam ser monitorados em tempo real. No entanto, até 2014, a CET ainda utilizava um veículo com duas pessoas, uma dirigindo e outra com um cronômetro, para determinar o tempo que os ônibus levavam para percorrer um trajeto e em qual trecho havia gargalos”, afirma Cardoso. Segundo ele, o mesmo monitoramento poderia ser feito digitalmente.
Inteligência no transporte público
Em sua fala no painel sobre cidades inteligentes, Cardoso discutiu como a população das áreas urbanas deve crescer cada vez mais, impondo novos desafios à mobilidade. “Se hoje 55% da população mundial vive em cidades, até 2050 essa população chegará a 68%”, afirma.
Por isso, torna-se cada vez mais necessário investir no transporte público e na inteligência desses modais. Cardoso explica que até mesmo soluções que, à primeira vista, podem parecer ajudar na eficiência da mobilidade de uma cidade, podem acabar sendo contraproducentes.
“Avaliamos as faixas exclusivas de ônibus em São Paulo. Nossos testes ajudaram o Poder Público a tomar a decisão de remover a faixa exclusiva de ônibus no Viaduto 9 de Julho. Isso porque a faixa exclusiva, na verdade, atrasava os ônibus. Ela reduzia a velocidade do trânsito no entorno e fazia com que o veículo demorasse mais para subir o viaduto”, conclui.
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O post Evento reúne especialistas para discutir cidades inteligentes e o futuro da mobilidade no país apareceu primeiro em Estadão Mobilidade.
https://mobilidade.estadao.com.br/mobilidade-para-que/a-mobilidade-urbana-e-peca-chave-nas-cidades-inteligentes-afirma-especialista/
Autor: Fellipe.leite
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